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O Papel das Florestas nas Mudanças Ambientais Globais
:: Método para estimar biomassa na Mata Atlântica

O estudo da biomassa em ecossistemas florestais assumiu atualmente uma grande importância, principalmente por possibilitar a valoração do carbono estocado nas florestas. Com o potencial de ratificação do Protocolo de Quioto, está se formando um mercado internacional (comodity) de carbono, que possibilita a negociação de bônus de carbono entre os países obrigados a reduzirem suas emissões e outros que possam contribuir com o seqüestro de carbono, mesmo que não obrigados. Esses mecanismos de flexibilização são chamados de MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Joint Implementation, podendo estimular a conservação de florestas e o reflorestamento de áreas degradadas.

A Biomassa total das florestas (BT), encontra-se armazenada em diferentes compartimentos, e seu valor é estimado através do somatório de cada um desses, que compreende a Biomassa viva acima do solo (BVAS), que abrange desde a base do tronco até a copa; a Biomassa subterrânea (BS) que compreende as raízes vivas; a Biomassa morta (BM) que compreende as folhas, raízes e galhos e outras partes mortas do vegetal que caem no solo e ainda não foram decompostas e a Matéria orgânica do solo (MOS), que compreende as partes já decompostas. Nas florestas tropicais, a maior parte dessa biomassa total se encontra nas árvores, principalmente na BVAS, sob forma de madeira fresca (cerca de 70% da biomassa total) com significativa presença de água (cerca de 15% a 20%).


As grandes árvores concentram grande parte da biomassa de uma floresta.


Figura mostrando os compartimentos que estocam carbono na biomassa de uma floresta.

O método de estimativa de biomassa mais comum é o método de amostragem destrutiva, onde algumas árvores são medidas e derrubadas. A partir das medidas de DAP (diâmetro a altura do peito) e a altura das árvores, correlaciona-se o peso da biomassa com as medidas, elaborando-se equações alométricas. É um método bem preciso, porém demanda a derrubada de floresta, inviabilizando assim sua aplicação na Mata Atlântica, que já está bastante degradada e não deveria sofrer mais impactos.


Método de escalada apresentando em detalhe a divisão do tronco em intervalos regulares (seções).


Como alternativa para estimar biomassa na Mata Atlântica, foi desenvolvido um método não destrutivo, onde ao invés do pesquisador derrubar a árvore, ele passa a recolher os dados de seu interesse através da escalada. Na escalada mede-se: A altura total, o diâmetro e comprimento do tronco, medindo desde a base até a copa em intervalos regulares de 1 metro (seções do tronco), além da medida do diâmetro e comprimento dos galhos principais (ambos para estimar o volume total, de acordo com as fórmulas de volume),a retirada de amostras de madeira para análise de sua densidade e também amostras de material florístico para posterior identificação da espécie.


Com um trado especialmente feito para madeira, retira-se uma amostra da árvores estudada para posterior avaliação da densidade e teor de carbono.

Uma vez obtido todos esses dados, é possível avaliar a quantidade de biomassa da árvore, que seria igual ao volume total da árvore multiplicado pela densidade. A biomassa total da floresta vai ser o somatório das biomassas de todas as árvores na área medida.

O volume das seções do tronco é calculado pela fórmula:

Já o volume do galho é calculado pela fórmula de volume de um cone:

Geralmente é realizada uma pré-seleção das árvores a terem sua biomassa medida, priorizando-se as espécies com maior freqüência e DAP. Dessa forma procura-se amostrar os indivíduos que tenham maior relevância ao valor da BVAS total da floresta. A determinação do tamanho e local da área de amostragem (transecto) também é de extrema importância, devendo ser aleatória e ter uma área proporcional à idade da floresta em questão (quanto mais avançada for a idade, maior deverá ser o transecto). Sendo assim, tendo esses padrões respeitados, torna-se possível fazer a extrapolação da biomassa calculada na área do transecto para toda a floresta sem ter que necessariamente medi-la como um todo, o que seria inviável.


Esquema de um transecto com 10m de largura X 90m de comprimento, totalizando 900m² de área, onde as árvores com DAP igual ou acima de 10cm foram selecionadas como padrão de amostra.

Essa metodologia não destrutiva tem se mostrado bastante eficiente e com valores muito próximos dos valores obtidos através do método destrutivo realizado em florestas da Amazônia. Essa proximidade de valores garante uma aplicação com um nível de confiabilidade bastante elevado, permitindo uma análise precisa e de forma a não impactar um ecossistema que já se encontra tão devastado, como é o caso da Mata Atlântica.



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